Usos, Costumes e Obrigações do Pároco - 1709

 

Usos, Costumes e Obrigações do Pároco - 1709


Existe nos arquivos da paróquia de Santa Eulália Arnoso, parte de um livro cujo título é:

 “Usos e Costumes e Obrigações do Pároco da Paróquia de Santa Eulália de Arnosinho, ano de 1709”

Refere-se aos direitos e obrigações do pároco mas com incidência nos bens da Alma, ou seja, nas exéquias dos defuntos e nos ofícios seguintes ao seu funeral.

É muito provável que estes costumes se tenham prolongado no tempo, pois no inicio do século XX ainda o pároco se queixava das dívidas de alguns fregueses que lhe deviam dúzias de ovos, galinhas e até carneiros, mas isso ficará para um outro artigo.

Começa este livro pelo termo de abertura, seguinte:

 

Resumindo:

Este livro é para esta Igreja de Santa Eulália de Arnozinho para nele se declararem as obrigações que seu reverendíssimo pároco por razão de seu ofício dos seus usos e costumes da Igreja sobre os bens da alma e direitos paroquiais na forma da pastoral … Arcebispo Primaz, o qual vai assinado por mim e passado este acto de declaração. Santa Eulália 24 de Maio de 1709

Segue-se as definições dos direitos e obrigações do pároco como descrito (algumas palavras estão, bastante confusas e aquelas que não consegui compreender, foram colocadas aspas).


 


 

Esta Igreja é Vigairaria adnum

 A apresentação dela pertence in solidum ao Reverendo do Deão da Sé de Braga

Não tem Fábrica determinada e para as obras necessárias, para o culto diurno, e as mais à capela maior está obrigado o mesmo Vigário Deão por razão dos lutos da mesma Igreja que são seus.

Tem o vigário Pároco desta Igreja de côngrua oito mil reis em cada um ano e desta paga o rendimento ou colhedor dos frutos desta.

Tem mais quatro mil reis em cada um ano para cera vinho e hóstias, com a obrigação de dar o mesmo pároco cera para a sua alanterna nas ocasiões em que sai o sagrado viático para algum enfermo e para os ofertórios  dos defuntos em que também se rezam os responsos e para meter na mão às crianças quando se batizam.

É costume pagar cada ano de ofertas pelo S. Miguel uma rasa de milho, os casados e os viúvos os solteiros meia rasa cada um. Quando há batizado ou recebimento de noivos tem o pároco uma galinha e uma rosca de vintém.

Falecendo algum freguês, sendo cabeceira tem o pároco de oferta no dia do corpo presente uma rasa de grão e uma broa. E ade de ter meia, uma, duas ou três canadas de vinho e uma dúzia ou dúzia e meia de ovos aliás carne ou peixe e um carneiro bom e de receber.

Tem cada defunto de bens da alma um trintário que são três ofícios de dez padres cada um, nos avindos todos e havendo bens por onde se lhe farão e pelos que falecem com testamento. E com estás comum no filho ou quando são pobres e que eles determinam em seus testamentos

As esmolas dos ofícios a cada um dos padres são cento e cinquenta, se dista de nove léguas e sendo de um noturno cento e vinte reis.

Em todos os ofícios tem o pároco desta Igreja digo em cada um deles tem de oferta tantos vinténs que são os que só os padres dirão no ofício e mais um vintém da missa cantada e sua oferta da cesta com pão e vinho e outros que deve valer ao menos trinta e três reis e a mesma oferta de cesta tem em cada Domingo pela reza do ano.

Falecendo alguma criança tem o pároco essa oferta de cesta que valerá meio tostão ou três vinténs e um quarto de missa

Em dia de Páscoa se costuma dar em casa de cada um dos fregueses uma dúzia de ovos.

Em dia dos fiéis defuntos é de costume mandar rezar responsos pelos seus defuntos e dão por cada responso um vintém ou a valia dele.

Tem o reverendo Pároco de ler qualquer muri bus e assistir à inquirição de cinco galinhas ou o seu valor e pelos clamores dezoito rasas de milho-alvo ou duzentos e quarenta reis.

Aos quinze dias de do mês de Maio de mil setecentos e nove, estando presentes os homens das falas, Juízes, do Subsino e mais fregueses presentes, datarei e … contem neste livro e concordaram em tudo por ser verdade e assinarão comigo

Assinam:

O Vigário Manuel Machado Coelho

Francisco Ferreira, António, João Barbosa de Araújo, Dionizio António Baptista Barroca, Simão Lopes, Francisco de Araújo e Pedro da Costa

Infelizmente só se salvou o apontamento de um funeral não tendo data mas só os benefícios, como se segue:

Corpo presente – carneiro, rasa e meia de grão, vinho duas canadas, ovos vinte e quatro.

Primeiro ofertório – meia rasa de grão, vinho duas canadas e ovos vinte e quatro.

Segundo ofertório – quarto e meio de grão, vinho, canada e meia, ovos vinte

Terceiro ofertório – um quarto de grão, vinho uma canada, ovos oito.

Depois só temos o termo de encerramento que foi feito no mesmo dia do termo de abertura

José Campos

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