Santa Eulália e S. Salvador de Arnoso

 

Santa Eulália e S. Salvador de Arnoso

 

De acordo com a Corografia Portuguesa e Descrição Topográfica do P. António Carvalho da Costa, publicada em 1701, Santa Eulália era Vigairaria do Deão de Braga e S. Salvador de Arenoso, Arnoso ou Arnozinho era Abadia Secular depois de ser Convento de Frades Bentos.

 Com as reformas administrativas, que aconteceram ao longo do Século XIX a Paróquia de S. Salvador foi anexada à de Santa Eulália mas, só em 1873 deixou de ter Pároco residente, no entanto os registos de baptismos, casamentos e óbitos, continuaram a ser feitos separadamente até ao ano de 1875 e o chamado Rol da Desobriga, foi preenchido e apresentado ao Arciprestado, separadamente pelo pároco de Santa Eulália até ao ano de 1952.

Seguindo os lugares descritos no rol da desobriga, que assinala as famílias por lugares, podemos concluir que as duas freguesias se encaixavam uma na outra como dois L invertidos. S. Salvador a Sul e Nascente, Santa Eulália a Norte e Poente, o que demonstra que Santa Eulália não confrontava com a de Santa Maria, porque no meio das duas ficava parte da freguesia do Mosteiro de S. Salvador de Arnoso.

Muito se tem escrito ao longo dos últimos anos sobre a história do vale de Arnoso, mas sobretudo da história do passado da actual Igreja do Mosteiro de S. Salvador de Arnoso. Não penso reescrever o que já está escrito e sempre baseado nos mesmos documentos a não ser que apareça algo de novo da história deste vale. Poderei isso sim publicar alguns documentos escritos por pessoas da terra mas não publicadas dando assim também a conhecer outros pensamentos.

Tentarei descrever um pouco da história em separado destas duas freguesias até à anexação de S. Salvador ou Mosteiro de S. Salvador de Arnoso pela de Santa Eulália de Arnoso. Hoje fazem parte da União das Freguesias de Arnoso (Santa Maria e Santa Eulália) e Sezures.

 

Paróquia do Mosteiro de S. Salvador de Arnoso

 

  1. Salvador de Arnoso estendia-se desde a ponte da Minhoteira até à foz do rio Guisande, na margem esquerda do rio Este, derivava para nascente pela margem direita do rio Guisande até às imediações da Igreja do Mosteiro e depois estendia-se pela encosta do monte de Azevedo até confrontar com a freguesia de Santa Maria de Arnoso nos lugares de Além-rio e Moinhos este designado nas duas freguesias, aliás há diversos lugares com o mesmo nome nestas freguesias, como Moinhos, Olheiro, Monte, Cruz e Cruzes. As suas veigas banhadas pelo rio Guisande derivam depois para norte, lugar da Veiga, fundevila e Torre, confrontando também com a freguesia de Santa Maria de Arnoso, lugar de Lordelo, sendo a sua divisão a linha de água, que por ali passa, até Arentim ou Tebosa.

Como a sua Igreja (Mosteiro de Arnoso) se encontra no extremo nascente da paróquia e na margem direita do referido rio tinha aqui o lugar da Quinta

O rol da Desobriga ou 3º Preceito da Igreja de 1869, com o título “Rol dos Confessados e Comungados da Freguesia de Santa Eulália de Arnôzo e a anexa do Mosteiro D’Arnoso no Concelho de Villa Nova de Famalicão, Arcebispado de Braga Primaz, relativo ao ano de 1869”, mencionava os seguintes lugares da freguesia do Mosteiro de S. Salvador de Arnoso e por esta ordem: Bouçó, Monte, Fundo Villa, Veiga, Torre, Muinhos, Alem do Rio, Bouça Velha, Olheiro, Quinta. Em 1903 temos os mesmos lugares referidos a saber: Bouçó, Monte, Olheiro, Bouça Velha, Quinta, Além do Rio, Muinhos, Veiga, Fundo Villa. 

Na Corografia Portuguesa de 1701 e descrição topográfica do famoso Reino de Portugal, com as notícias das fundações das Cidades e Lugares, que contem Varões Ilustres, Genealogias das Famílias Nobres, fundações de Conventos, catálogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edifícios e outras curiosas observações do Padre António Carvalho da Costa, Clérigo do hábito de S. Pedro, Matemático, diz que a freguesia de S. Salvador de Arenoso, Arnoso ou Arnozinho, foi Mosteiro de Frades Bentos, que fundou S. Frutuoso no ano de 636 ou 642. Extinguiu-se como outros e assim esteve até ao ano de 1495 em que arcebispo D. Jorge da Costa o uniu ao do Pombeiro; o como depois se lhe tirou não alcançamos, só de que passou aos Frades dos Jerónimos do Real Convento de Belém, os quais dele e de Grandes Fazendas, que ali tinham, fizeram prazo ao Doutor Miguel Pinheiro Figueira, cónego de Braga, e por parentesco que com ele tinha e com Joseph Pinheiro, Dona Isabel de Sousa Lima Figueira, mulher de Manuel de Vasconcelos de Sousa, entrou nele e apresenta a Igreja que é Abadia Secular, rende sessenta mil reis e tem quatorze vizinhos.

 

Já nas memórias paroquiais de 1722 a 1832, “no tomo 4 à data de 1758 Arnoso, Penafiel de Barcelos na pág. 101” diz:

Nº 213 Mosteiro de Arnoso.

Mosteiro de Arnoso he Abadia e Parochia do Distrito = Penafiel no termo da Villa = Barcelos = na comarca deste nome e seu povo com 17 fogos com 56 almas, do sacramento no Mosteiro consagrado ao Salvador.

O Paracho he Abadee, apresentado pelo Morgado de Pindela e tem de côngrua 160.000 reis

 


Estes são os limites actuais de Santa Eulália Arnoso, que demonstra que a seguir à rua da Torre  o limite segue a linha de água ali existente até ao caminho dos marcos que liga Tebosa a Arentim

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