PONTE DA MINHOTEIRA
PONTE DA
MINHOTEIRA
A ponte medieval da Minhoteira
já referida nas inquirições de 1758 “ponte de peão e logo junto um moinho” o
que dá a entender que a ponte, porque nessa altura as travessas que assentavam
nos respectivos apoios de granito seriam de madeira. Por volts dos anos trinta
do século XX, quando do alargamento da estrada que liga a Santiago de Cambeses
as travessas de madeira devem ter sido substituídas por Lages de granito, que
se podem ainda ver por baixo da ponte. Nos anos cinquenta do referido seculo XX
a ponte era apenas um tabuleiro de granito com um piso tosco e sem qualquer
gradeamento de protecção. Mais tarde foi-lhe colocada uma protecção em rede. E
só em 1983 é que lhe foi acrescentado em cima do tabuleiro existente um novo
tabuleiro em betão armado e gradeamento e mais tarde em cima deste foi-lhe
acrescentado o piso em asfalto.
Esta ponte medieval é
referida (penso que um pouco superficialmente) no boletim municipal nº 4 de
Setembro de 1983 em que o autor Eng. Joaquim Ribeiro dos Santos no ponto dois
diz: A infraestrutura da ponte que se mantém, de nítida feição arcaica, é
constituída por quatro arcos por acachorramento, definindo quatro vãos centrais
e por dois olhais de descarga de secção rectangular um junto a cada margem …
Estas pontes de vigas ou de
lajes têm um campo de aplicação em troços de rios em que a largura é elevada em
relação ao seu valor médio no percurso do rio, não há navegação e as margens
são pouco inclinadas em relação ao leito do rio; quer isto dizer, região plana,
pouca altura de água no rio e sem navegação a que a ponte constituísse
obstáculo (é sem dúvida o caso da ponte da Minhoteira). No rio Ave houve
algumas destas pontes a quem têm sido feitas obras do mesmo tipo, consistindo
no aproveitamento da infraestrutura e na construção de um tabuleiro de betão
armado, solução que corresponde à boa economia dos dinheiros públicos,
tecnicamente é bem aceitável, mas arqueologicamente é a perda, pelo menos de
mais um elemento patrimonial ...
A montante da ponte do lado
nascente sempre existiu um acesso pedonal que dava acesso ao rio e servia para
que, especialmente no verão os lavradores conduzissem o gado ao rio a fim de
saciar a sede e ao mesmo tempo refrear os cascos. Este acesso foi tapado por
obras (ilegais?) que ali decorreram em 2007/2008 o que também tapou um olhal de
descarga de cheias que se encontrava na mesma margem.
A Ponte medieval da Minhoteira
constituída pelos quatro arcos por acachorramento, definindo quatro vãos
centrais, tendo nas colunas centrais dois talha-mares ou quebra-mares de secção
triangular e junto a cada margem dois olhais de secção rectangular, sendo que o
da margem direita serve também para escoamento das águas que saem das duas
azenhas do moinho
Infelizmente a ponte Medieval
da Minhoteira, possivelmente a única no seu estilo em todo o concelho não tem
sido reconhecida pelo seu valor arquitectónico, mas pelo contrário “é minha
opinião” tudo tem sido feito para a sua destruição completa. Os quebra-mares em
poucos anos já tiveram de ser reconstruídos pelo menos duas vezes, devido ao
excesso de carga que por ali passa tendo havido a tentativa de proibir a
passagem de camiões de grande tonelagem, mas não tem sido possível. Porquê?
Quando das obras na via
férrea, de melhoria do ramal de Braga a Nine foi construída uma ponte e
passagem no lugar da Agra em Santiago de Cambeses, ponte que na verdade ainda
hoje não serva a quase ninguém, no entanto segundo um ex-autarca a ponte teria
sido planeada assim como o pequeno troço de estrada para que mais tarde tivesse
seguimento, tanto para um lado como para outro, mas para nascente seria para a
construção de uma nova ponte sobre o rio Este, substituindo a da Minhoteira,
ponte estreita e não preparada para grande tonelagem, fazendo a ligação a Santa
Eulália e também ao lugar do Fontão em Santiago de Cambeses. Lugar este também
apenas servido por um caminho muito estreito e pela ponte da “redonda” em que
qualquer pequena cheia do rio Este fica submersa. Se foi com este propósito que
se gastou umas dezenas de milhares de euros na construção da referida ponte
ferroviária já temos vinte anos perdidos.
JCF


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