O Caminho de Santiago e o Vale de Arnoso
O Caminho de Santiago e o Vale de Arnoso
Cruz gravada na parede exterior
Porta Norte
Porta Sul
Há cerca de dez anos atrás, o Sr. Padre Cabral, pedia-me para receber na Igreja do Mosteiro O Sr. Padre Fontes e alguns seus paroquianos que o acompanhariam. Assim aconteceu e ao adro da Igreja chegaram diversos carros, que logo se dirigiram para a Igreja, observando com atenção a obra que nos legaram os nossos antepassados.
Nessa altura e depois de se apresentar o Sr. Padre Fontes me disse que, era costume uma vez por mês, ele e os paroquianos, que o queiram acompanhar, ir visitar locais históricos e aí dar uma espécie de aula histórica aos seus paroquianos como hoje aconteceu dentro da Igreja do Mosteiro.
Nesse dia, disse ele, vinham a seguir um caminho de Santiago que saía de Gaia por S. Pedro de Rates até Braga onde se juntava ao caminho principal e por isso vinham de S. Pedro de Rates e depois iam a Priscos onde junto à ponte das alminhas existe uma casa que ao tempo servia de repouso para o clero, e depois visitariam a Sé de Braga onde terminaria a visita deste dia.
Num outro dia em conversa com o Sr. Padre Arquitecto José Manuel Ribeiro este disse-me que em estudos feitos por ele, que não tinha dúvidas da existência de um caminho transversal que ligava Vila do Conde a Braga, pois que muitos peregrinos, quereriam para além de passar pelo túmulo do Bispo S. Pedro em Rates, também queriam como seria normal passar pela igreja mãe, a Sé de Braga.
Não temos certezas por onde passava este caminho entre Vila do Conde e S. Pedro de Rates, ou entre S. Pedro de Rates e o Mosteiro de S. Salvador de Arnoso, certo é que ao longo dos actuais caminhos há diversas marcas religiosas alusivas aos peregrinos e não só. De S. Salvador do Mosteiro de Arnoso, teremos ainda antes o possível nicho de N. Senhora do Fastio, Igreja do Mosteiro, onde usufruíam de comida, tratamentos e alojamento, seguiriam ao longo do regato até à torre, Cruzeiro dos caminhos de Santiago (da quinta?) bem colocado na encruzilhada de caminhos, seguindo-se a travessia do riacho (hoje Guisande) através do pontão ali existente, seguindo-se o caminho de lamela para evitar as cheias no inverno, capela do Senhor, Igreja de Tebosa e dali pelos montes até à ponte das alminhas de Santiago de Priscos (este trajecto está hoje integrado no trilho do rio Este, por isso transitável). Aqui passariam para a margem direita do rio Este pois no inverno não deveria haver outro sítio de passagem, seguindo até à Sé.
Acredito que este caminho para além de servir os peregrinos de Santiago, também serviria e aqui faz todo o sentido haver em Santiago de Priscos uma casa de repouso para o clero, que utilizaria este caminho para as suas deslocações entre as paróquias e o arciprestado e vice-versa. Porque toda a informação entre a Diocese e os paroquianos que se encontram nesta área, assim como a partir do século XVI os livros de registos (baptismos, casamentos e óbitos assim como das confrarias eram levados à Diocese todos os anos para serem vistos e assinados) seria transportada por este caminho, quer a pé (povo e peregrinos) quer de mula ou burro que era o transporte normal dos clérigos.
Deixo aqui este testemunho, e seria bom que alguém, individualmente ou em grupo, aprofunda-se o exacto trajecto e se marcasse. Claro de que não é um caminho Real, primário nem tão pouco secundário, mas não tenho dúvida de que existia. Sei que há interesse em fazer algo por este caminho, mas esse trabalho deve respeitar o trajecto ou seja que não há dúvidas de que em Santa Maria de Arnoso segue para Tebosa e não para Sezures como alguns advogam o que não faz qualquer sentido (ninguém iria atravessar o monte de “S. Vicente” para seguir para Braga e logo do outro lado do monte passa o caminho principal.

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