Confraria do Santíssimo Sacramento do Mosteiro do Salvador de Arnoso
Confraria do Santíssimo Sacramento do Mosteiro do Salvador de Arnoso
A Paróquia do Mosteiro de S. Salvador de Arnoso
Nos Séc. XVIII, XIX e XX
Confraria do Santíssimo Sacramento
da
Freguesia do Mosteiro do Salvador de Arnoso
Conforme o livro dos estatutos desta Confraria, reformulada em 1823 e aprovados em 8 de Janeiro de 1824, dizendo expressamente na pág. 1
“ Estatutos da Confraria do Santíssimo Sacramento de novo eregida na Parochial Igreja do Salbador do Mosteiro de Arnoso, termo de Barcellos e Arcebispado de Braga, pelo zelo do Reverendo Abade da mesma Igreja José Manuel Pinto Couto, e de outros Clérigos e Parachos vizinhos. Anno de 1823”
Estes Estatutos escritos pelo referido Abade, são de referir o Prologo dos mesmos, justificando a sua reformulação e o recomeço da referida Confraria.
“Prologo.
He certo, e de fé que Jesus Christo antes de deixar este mundo, e partir para seu eterno Paraizo, instituiu o Santíssimo Sacramento da Eucharistia, onde nos mostra a mais decisiva prova do amor, dando-nos seu corpo para nossa comida.
E para que os Fieis tivessem sempre nas suas necessidades pronto este Sagrado sustento, os Santos Padres da Igreja ordenaram e piamente mandaram , que em todas as Igrejas curadas, e Mosteiros, houvessem Sacrarios, onde se guardasse este Santo Manjar, recomendando o culto, e decência devida a tão alta Divindade, e eis aqui porque observamos já na maior parte das Igrejas estar sempre patente aquelle Santo sustento escondido dentro dos Sacrários, que pouco a pouco se tem ido colocando.
Esta freguesia pois, pequena na sua extensão, e riquezas nunca em tempo algum pôde colocar este Santo Tabernáculo na sua Parochial Igreja e só no Reverendo Cosme José Rebelo Machado Abade, que della foi, podemos agradecer tão grande bem pois foi que elle foi quem o colocou e deu rendas para sua veneração e culto.
Que felicidade esta, para vós, habitantes desta freguesia que gosto e prazer não deve ser o vosso? Ali tendes patente a toda a hora, que for necessário aquele Santíssimo Sustento para as vossas almas, ali tendes sempre o vosso Médico Sagrado pronto para vos hir curar vossas chagas, bem este, que vossos antepassados não lograrão e iam buscar de outras freguesias.
Agora que já estais possuindo este bem inexplicável que tendes na vossa Igreja colocado o Santíssimo Sacramento, correi todos perante elle a dar-lhe as devidas graças e contribuir-lhe o culto devido a este Deus Sacramentado, he bem, que todos nos unamos e concorramos para sua veneração e instituamos Sua Confraria, com o Título de Santíssimo Sacramento, cujo intento já o vosso referido Pastor conservava e não pôde concluir durante sua vida.
Estabeleçamos regras e façamos Estatutos, que nos sirvam de Ley, por onde nos dirijamos, e estes vamos pôr na presença do nosso Excellentíssimo Prelado a quem nos devemos sujeitar como Autoridade Eclesiástica que adoptamos escoller e a quem nos submetemos, peçamos sua confirmação visto já nos concedido Licença para erigirmos de novo esta Confraria e seguindo os seus Mandatos, vamos a entrar no manejo dos nossos deveres.
Velhos e novos, pequenos e grandes, vinde apressadamente alistar-vos debaixo deste Estandarte. O aumento da veneração do Santíssimo Sacramento, he a principal mira, que suas rendas bem administradas se aumentem e que seus legados se cumprirão pontualmente, he este o desejo dos executores della. Vós fazendo-o assim alcançarais deste Senhor Sacramentado ser o vosso Viático à hora da morte, vossa alma não morrerá, mas viverá eternamente na glória a alcançareis hum copioso montão de Indulgências em recompensa de vossos trabalhos e afinal ireis gozar da companhia do mesmo Senhor, que tendes Sacramentado na vossa Igreja, felicidade esta que todos desejamos e principal motivo de vossos trabalhos.
Firmados nestes princípios, vamos estabelecer as regras directivas desta Confraria, na forma seguinte…”
“…E para a todo o tempo consultar fazemos esta declaração, que queremos se observe como termo e para o que nós os Instituidores da Confraria nos assignamos. Eu, o Padre Pedro Martins de Carvalho, Secretário os subscrevo.
Assina: o Abade José Manuel Pinto Couto.
O Padre José da Costa Pinto, desta freguesia
Domingos Leitão
João da Costa
Estatutos aprovados na diocese por D. Frei Miguel da Madre Deus, em 21 de Fevereiro de 1823.
Registada no Registo Geral no Livro Competente a folhas 316 verso. Braga 29 de Fevereiro de 1823.
Seguem-se algumas actas de tomada de posse dos Mesários desta Confraria sendo encerrado a 17 de Novembro de 1825 e segue-se depois o livro da Confraria do Santíssimo Sacramento onde consta o Registo dos Irmãos Devedores das Confrarias Extintas criado em 1824.
“Dou Comissão ao Meritíssimo Reverendíssimo João Roriz assistente nesta Cidade para numerar e rubricar este livro que há-de ser na primeira parte para nele se escreverem os termos das eleições dos Mesários e na segunda parte se descreverem os nomes dos Irmãos e na terceira que será menor para se descreverem os títulos do dinheiro da Confraria empregado a render e no fim lhe fará o termo de encerramento… Braga 6 de Fevereiro de 1824.”
Continuam aqui as actas da Confraria e curiosamente a segunda acta é uma afirmação do dever de cumprir os Estatutos, mas os Mesários pedem a alteração do Artigo 6º que impõe aos mordomos da Confraria o cuidado da lâmpada querendo eles mesários pôr fim aos ditos requisitos para maior bem da Confraria e conciliar a paz entre o Abade desta Igreja e seus fregueses e obedecer ao despacho do Ver. Sr. D. Desembargador Juiz dos Resíduos ai concordarão todos, unanimemente que se devia reformar o dito capitulo desobrigando os Mordomos do ónus de tratarem da lâmpada e pagar a um servo que tenha este cuidado prestando-lhe à mesma o azeite e ficando em vigor todas as outras obrigações…foi feito o pedido ao Exmo. Rev. Sr. Arcebispo para reformar o referido capitulo.
E para constar se fez este termo a que presidiu o Reverendíssimo José António Abade, Vigário da Igreja do Couto de Cambeses por especial Comissão do Reverendíssimo Juiz dos Resíduos desta Comarca que assinou com os mesários Reverendíssimo abade José Manuel Pinto Couto, Abade José da Costa Pinto, Manuel José de Andrade, Custódio de Azevedo, José Fernandes e o Secretário da Confraria Padre Manuel Pinto de Araújo.
No livro de contas é de referir a primeira acta pelo significado e a identificação do Padre José da Costa Pinto
“Ano de 1825
Contas que dá o Padre José da Costa Pinto, natural da Freguesia de Santa Maria de Nine e Domiciliário nesta do Mosteiro, Tesoureiro da Confraria do Santíssimo Sacramento colocada nesta Freguesia do Mosteiro do Salvador de Arnoso do seu ano que teve princípio em 2 de Março de 1824 por se fazer então termo de sujeição e tomar os Mesários conta e findou no 3º Domingo de Julho de 1825 que daqui em diante sempre terá principio no 3º Domingo de Julho, por então ser o dia em que se Festeja o Santíssimo Sacramento, e se fazer a eleição dos novos Oficiais, conforme determinam os Estatutos da mesma Confraria.
Recibo
Recebi da mão de Domingos Vieira de Andrade ou seus herdeiros da freguesia do Salvador de Roças, cem mil reis na forma da Lei que deixou Cosme José Rebelo Machado Abade que foi desta Freguesia para instituição da Confraria do Santíssimo Sacramento e as sobras para fundo da mesma Confraria que depois de abatido seis mil e seiscentos e vinte e cinco reis do rebate do papel por consentimento dos Mesários, ficaram noventa e três mil e trezentos e setenta e cinco reis. Tendo recebido também de juros de duas letras que estavam na mão de Nicolão Copque da cidade do Porto e as duas letras que que estavam na mão do mesmo tudo no valor de quatrocentos e trinta mil e quinhentos reis, que com os peditórios e outras letras e juros ficou a Confraria com o saldo de quinhentos e noventa e nove mil e oitocentos e quinze reis (599,815) neste ano de 1825. Mas logo fizeram empréstimos a outras pessoas de no total de 590,000 reis”.
Novembro de 1858
O Bacharel Carlos Augusto da Costa Teixeira, Administrador no Conselho de Vila Nova de Famalicão.
Faço saber que examinei as precedentes Contas da Confraria do Sacramento da freguesia do Mosteiro de Arnoso pelos anos de 1839 até 1857 inclusive, acham-se conformes, tanto na receita como na despesa e com documentos competentes de despesa. Nota-se que este Tesoureiro há bastantes anos deixou de fazer o peditório e a festa do Senhor, as futuras Mesas deverão já mais deixar de fazer o peditório e a festa no tempo competente como marcam os Estatutos e desta sorte ficam aprovadas estas contas e vão ao Exmo. Conselho de Distrito para definitiva aprovação.
Famalicão 19 de Novembro de 1858.
Pessoas que serviram a Confraria: 1825 a 1833 - Juiz Abade José Manuel Pinto Couto, Tesoureiro, Padre José da Costa Pinto, mordomos Custódio de Azevedo e Manuel José de Andrade, Procurador José Fernandes. 1834 a 1838 - Juiz Santos Gomes, tesoureiro Padre José da Costa Pinto, mordomos António José de Oliveira e Luís Rodrigues. Até 1857 as contas só aparecem assinadas pelo Tesoureiro Padre José da Costa Pinto e segundo o administrador do conselho de Vila Nova de Famalicão também não se fazia o peditório nem a festa conforme acta supra. Em 23 de Novembro de 1858,1859,1860,1861 é eleita nova Mesa tendo como Juiz o Padre José da Costa Pinto, Secretário o Abade Bernardo António Roiz Passos, Tesoureiro Francisco José de Castro Sousa, mordomos Manuel José de Andrade e António e Procurador José Fernandes Pinto. 1862 e 1863 tesoureiro João Lopes de Azevedo. 1864 Tesoureiro José da Silva Oliveira. 1865, 1866 José da Costa + Pinheiro, 1867 Pedro José Teixeira Azevedo. 1868, 1869, 1870 Bento José da Rocha.1871 Manoel da Silva Oliveira. 1872, 1873, 1874 João + da Costa Pinto. 1875 Manuel Pereira. 1875 a 1877 Manuel de Araújo. 1878 a 1881 João da Costa Pinheiro, Juiz João Lopes de Andrade, 1882 António da Silva e Sá, 1883 José António da Rocha
Segue-se depois o registo dos montantes emprestados a juros seus devedores e recebimento dos respectivos juros anualmente e no fim da lista os termos das escrituras e termos dos referidos empréstimos tendo nesta altura empréstimos das confrarias cerca de 836.400 reis tendo todo o dinheiro das confrarias do Mosteiro do Salvador de Arnoso e Santa Eulália sido aplicado na construção do Cemitério paroquial o qual ficou concluído em 1910 e enterrou-se o primeiro corpo em 1911.

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