“Casal da Minhoteira” ou casa do Serafim
Casa do “Casal da Minhoteira” ou casa do Serafim
A casa do Casal da Minhoteira, hoje conhecida pela casa do Serafim, deve ter sido construída cerca do ano 1720 pelo casal Domingos Gomes de Araújo, filho de Manuel Ferreira de Santa Maria de Arnoso e de Maria de Araújo, solteira de Silvão, Santa Eulália de Arnoso e Luísa Barrosa, (1695? – 16/01/1744) Filha de Cosme Barroso e de Maria Moreira de S. Salvador de Arnoso onde casaram em vinte de Outubro de 1715. É o primeiro casal com morada na Minhoteira.
Sucede-lhe a sua filha Josefa de Araújo Moreira (1727 – 1796) que casou em vinte e um de Janeiro de 1756 com Domingos Gomes Ferreira (1729 – 1791), filho de Manuel Gomes e de Maria Ferreira do lugar de Silvão (Santa Eulália Arnoso).
Sucede-lhe a sua filha Custódia Gomes Moreira (1759 – 1825, que casou a dez de Janeiro de 1785 com Pedro Pereira da Costa, filho de António José Pereira e de Luzia da Costa de Santa Maria de Nine.
Pedro Pereira da Costa e esposa, impulsionam o alagamento dos bens do casal da Minhoteira. Aparecem diversos registos de actividades tais como uma carta de Agosto de 1797 solicitando a D. Maria II o registo de um terreno maninho (bouça) no lugar da Minhoteira, que lhe é autorizado por despacho da Casa de Bragança em vinte e oito de Agosto de 1798 mediante o pagamento do respectivo imposto de selo. Em 1785 é presidente da Confraria do Santíssimo Sacramento de Santa Eulália Arnoso.
Do casal nasce os filhos Manuel Gomes Pereira, herdeiro natural, José Gomes Pereira Rebelo, Padre (ver à frente), Maria Teresa (Thereza) Moreira e Mariana Moreira.
Manuel Gomes Pereira (1785 – 1869) casou com Domingas de Araújo D’Afonseca (1797 – 1885) em vinte de Novembro de 1819 filha de Manuel Martins de Araújo de Santa Eulália Arnoso e de Maria Josefa D’Afonseca de S. João de Bastuço – Barcelos. O casal enfrenta diversos processos de sucessão interpostos pelo sobrinho Joaquim Alves Pereira e mulher que acabam todos por dar razão ao casal da Minhoteira, quer no tribunal de Famalicão quer no tribunal da relação do Porto.
Ao Manuel Gomes Pereira, sucede-lhe o seu filho António Gomes Pereira (1825 – 1880), casou com Teresa Maria D’Afonseca (1839 – 1919 em vinte e nove de Outubro de 1860, filha de José Ferreira da Cunha e de Maria Teresa D’Afonseca de Santiago de Sequeade – Barcelos. O António Gomes Pereira morre novo (09/08/1880) a esposa tem que enfrentar diversos problemas de sucessão e dívidas, mas é através destes que se percebe a origem de bens do Casal da Minhoteira. Começa logo em vinte e três de Agosto de 1880 por ter de apresentar o inventário de menores lavrado no tribunal de Famalicão, não temos o inventário da responsabilidade da Teresa Maria mas apenas a decisão do tribunal e por esse verificamos que havia bens foreiros da Casa de Requeixe de Arnoso Santa Maria, Aos Padres da Juncosa de Mouquim e à casa de Pindela. Destes Bens foreiros pagava uma galinha e o laudémio da quarentena assim como vinho e pão à casa de Pindela e aos Padres da Juncosa.
A casa de Requeixe deveria ser foreira da casa de Bouçó com os cobertos e leiras junto à casa mais as duas leiras na margem direita do rio Este a sul da ponte da Minhoteira conhecidos por enguieiros o campo a seguir aos eidos deveria pertencer já à casa e o chamado campo grande que confronta com o rio Este a poente e a sul com o regato do Olheiro pertencia à casa de Pindela.
Em onze de Novembro de 1885 é feita uma escritura de declaração e dívida ao Sr. José D’Azevedo Meneses Cardoso Barreto da casa do Vinhal de vinte mil e seiscentos reis por este ser fiador do Visconde de Pindela pela falta de pagamento dos bens de foral, dívida essa paga em dez de Janeiro de 1886.
Aparece ainda a aceitação de uma dívida por ser fiador ao banco de Barcelos no valor de 58,25 reis paga em vinte e dois de Junho de 1917
Seque-se seu filho, o primeiro Serafim Gomes Pereira (1862 – 1941) casado com Luiza de Oliveira (1966 – 1942) a um de Abril de 1892, filha de pai incógnito e de Rosa da Silva Oliveira tendo vivido os primeiros anos na casa da Bouça Velha, junto ao Buraco do Olheiro (esta casa foi depois herdada pela sua filha a segunda Maria da Conceição Oliveira (Tia Maria Faria) por ser casada com Camilo Gomes de Faria.
É o Serafim que monta o negócio da funerária de Arnoso e armadoria e que por via disso a casa começa a ser conhecida por casa do Serafim. Sendo de uma dinâmica extraordinária, pois tendo pedido um empréstimo à Comissão do Santíssimo Sacramento de Cambeses, em 1888 que paga em 1899, anula diversas hipotecas da casa e faz compras de terrenos, direitos de água de rega no lugar da Bouça Velha e Minhoteira assim como nos Azevinhos- Cambeses.
Enfrenta ainda, por via do inventário de menores de sua mãe, uma ação de pedido de indeminização de seus tios paternos que contestam uma doação de seus pais a favor de seu filho António Gomes Pereira. O tribunal deu razão aos filhos e mãe, Maria Teresa.
Segue-se o filho José Gomes Pereira, (1894 – 1948), nasce e vive pelo menos até cumprir o serviço militar na casa da bouça velha, participa activamente nas obras da Igreja Paroquial, penso que na remoção do cemitério de dentro da Igreja e colocação de soalho e altares. (último enterro dentro da Igreja foi em 1911)
Deixa um resumo muito importante da sua vida militar, desde que assentou praça em 15-01-1915 em Viana do Castelo até ser desmobilizado em 29-05-1918, neste resumo descreve muito bem as guerrilhas que a implantação da república enfrentava e a desorganização do exército português, quer em Portugal quer em França e que só a raça e força de vontade dos soldados foi mantendo em pé o CEP. Ao lermos a descrição do fatídico dia oito de Abril de 1918 este contradiz muito daquilo que os políticos escreveram naquela altura e que a história quis preservar a bem dos políticos desse tempo, e ainda hoje os historiadores baseados nesses textos adulteram a verdadeira história.
Depois já na Minhoteira compra um alambique que funcionou pelo menos nos anos de 1923 a 1925, ano em que casa com Maria Gomes da Cunha (1900 – 1977) filha de Eduardo de Araújo Coutinho e de Albina Gomes da Cunha de Santiago de Cambeses, mas moradores em Santa Maria de Nine.
Pelos documentos que deixou, foi presidente da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Santa Eulália Arnoso nos anos de 1926 a 1928 (implantação da 2ª república) e sempre colaborador dos problemas da freguesia, fazendo parte de comissões de festas e outras iniciativas. Segue-se o filho Armando da Cunha Pereira (1933 – 2010) casado (14-06-1956) com Maria dos Prazeres Campos Ferreira, filha de Daniel da Costa Ferreira e de Tereza de Oliveira Campos de Santa Eulália Arnoso, que também por via do golpe militar de 25 de Abril vem a fazer parte como secretário da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia.
Da casa do Casal da Minhoteira, formaram-se alguns Padres a saber:
Padre José Gomes Pereira Rebelo (1796 – 1886) filho de Pedro Pereira da Costa e de Custódia Gomes Moreira é ordenado em 1816, mas para dar continuidade ao seu apostolado é-lhe pedido uma relação de bens que o sustente, tendo Manuel José de Oliveira e sua mulher, lhe doaram os frutos das suas propriedades a saber: Maria Teresa e o marido os frutos de três leiras dos azevinhos e eles Manuel José de Oliveira e esposa a sua bouça da Ermida, tapada sobre si e bem assim o uso de uma sala da casa onde vivem que é a da entrada. Também o campo da porta, campo da Varziela e os campos de cernados, as bouças dos Enguieiros e de cernados. Tudo foi louvado e escriturado, tendo tomado posse dos referidos terrenos e frutos em vinte e quatro de Janeiro de 1818.
Mais tarde comprou grande parte desses terrenos e outros como a bouça dos azevinhos, diversos terrenos no lugar dos Azevinhos e Minhoteira em Couto de Santiago de Cambeses em Santa Eulália Arnoso comprou terrenos e na Minhoteira, Carvalheira e Bouça Velha. Todos estes terrenos ficaram pertença da casa do Casal da Minhoteira. Foi Pároco Encomendado em Santa Eulália Arnoso de 1842 a 1862. Faleceu como Presbítero em Santa Eulália Arnoso com noventa anos aos oito de Janeiro de 1886.
Padre José Gomes Pereira, Nasceu a 15 de Abril de 1834, filho de Manuel Gomes Pereira e de Domingas de Araújo D’Afonseca. Pouco sabemos da sua vida ou onde paroquiou. Foi testemunha e padrinho de familiares e exerceu conjuntamente com o tio José Gomes Pereira Rebelo. No Rol da desobriga de 1869 vivia com os pais no lugar do Monte – Mosteiro de Arnoso. E em 1870 já vivia com a mãe na Minhoteira.
Padre Alcino da Cunha Pereira (22-01-1928 – 31-01-2016). Ordenado sacerdote a 15-08-1952, celebrou a Missa Nova em Santa Eulália Arnoso em 17 -08-1952 foi paroquiar São Paio de Mozelos e Santa Marinha de Padronelo (Paredes de Coura) em 30-10-1952 até 1962 de onde é transferido para as paróquias de Santiago de Carapeços e Santa Leocádia de Tamel (Barcelos) onde exerceu até 2012 resignando por limite de idade.
01-06-2020
José Campos
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