Capela e Festas em Honra de Nossa Senhora do Fastio

 Capela e Festas em Honra de Nossa Senhora do Fastio

Paróquia de Santa Eulália de Arnoso – Vila Nova de Famalicão

 

A acta de inventário, pertencente à freguesia e Santa Eulália D’Arnoso, realizada aos oito de Fevereiro de mil oito centos e setenta e nove descreve depois de dar o inventário dos bens da Igreja por concluído “declarou porem que no lugar de Trás=Arnoso, desta freguesia, existe uma pequena Ermida com a Imagem de Nossa Senhora do Fastio, a qual se acha a veneração da mesma Junta, a qual não tem móveis nem alfaias.” (fig. 00)

Sabemos, também, através do livro de Actas e Contas, aberto em vinte e cinco de Abril de mil oitocentos e oitenta (25/04/1880), que nesse dia o tesoureiro da Junta da Paróquia, António José de Abreu recebeu do Nicho da Senhora do Fastio a quantia de seis mil oitocentos e quarenta e cinco reis (6:845) e que no dia seis de Janeiro de mil oitocentos e oitenta e um (06/01/1881) recebeu mais dois mil duzentos e sessenta e cinco reis (2:265), quantias estas que foram gastas nas obras da mesma Capela como mostra os competentes recibos.

Sendo assim a Capela de Nossa Senhora do Fastio só depois destas datas se começou a sua construção que ocorreu conforme acta (fig. 01) no ano de mil oitocentos e oitenta e um e oitenta e dois (1881 e 1982)

Pela acta extraordinária da Junta da Paróquia, que ocorreu no dia um de Novembro de mil oitocentos e oitenta e dois (01/11/1882), deduz-se que a capela estaria concluída ou pelo menos foi organizada a primeira festa em honra da Senhora do Fastio como passo a citar: Ao primeiro dia do mês de Novembro do ano de mil oito centos e oitenta e dois nesta freguesia de Santa Eulália de Arnoso e casa das sessões onde estava presente o Presidente da Junta da Paróquia António de Oliveira e os vogais da mesma, António José de Castro Moreira, António José de Abreu e Joaquim José de Castro Moreira e comigo escrivão José Pereira Rodrigues de Oliveira e estando também presente o Reverendo Pároco Manuel Gomes Jácome.

Pelo presidente da mesma Junta foi dito que era sua opinião que se elabora-se uma acta em que se declarasse que a Capela de Nossa Senhora do Fastio colocada no lugar de Trás=Arnoso, feita no ano de mil oito centos e oitenta e um (1881) por incentivo da mesma Junta, feita por esmolas que poderão receber tanto na freguesia  como nas circunvizinhas , as quais subiram à quantia de duzentos mil reis, cujas esmolas por ter sido dadas de tão boa vontade, julgava que pela presente acta fosse dado um voto de louvor aos beneméritos bem feitores para a devida obra religiosa e por todos foi aprovado.

E por nada mais haver que deliberasse, encerrou-se a acta da secção que por todos vai ser assinada.

“Segue-se as respectivas assinaturas” (fig. 01)

Na segunda acta que ocorreu aos vinte e seis dias de Novembro de mil oitocentos e oitenta e dois (26/11/1882) “ Pelo Presidente foi dito que se ia proceder às contas da Senhora do Fastio, declarando que fosse lançado no competente livro as esmolas recebidas, depois de deduzidas as despesas se haviam feito com as festividades da mesma Senhora, declarando o tesoureiro actual Joaquim José da Costa que depois de feitas todas as despesas entregou ao novo tesoureiro Joaquim José de Castro Moreira a quantia de quatro mil e quinhentos e quinze reis (4:515)”.(fig. 02)

Por aqui se confirma que a primeira festa realizada em honra de Nossa Senhora do Fastios se realizou nos dias vinte e três e vinte e quatro de Setembro de mil oitocentos e oitenta e dois, conforme tradição que ainda hoje se mantem, ou seja, o quarto domingo do mês de Setembro ou o primeiro domingo depois do Equinócio de Outono.

Nas actas seguintes, verifica-se o cuidado que havia com o dinheiro das esmolas recebidas e por isso a caixa das esmolas da Capela, só era aberta em reunião da Junta da Paróquia, com o tesoureiro da festa presente e o Pároco, pois cada um deles tinha uma chave diferente para cada fechadura ver fig. 03 (assim acontece actualmente com as caixas das esmolas da Igreja Paroquial)

Na acta de trinta de Janeiro de mil oitocentos e oitenta e sete (30/01/1887), (fig. 04) depois de aberta a caixa das esmolas que tinha a quantia de quatro mil e cento e cinco reis (4:105), esta quantia foi para pagar a nova imagem de Nossa Senhora do Fastio que custou quatro mil e quatrocentos e cinquenta e cinco reis (4:455), tendo o Pároco Manuel Gomes Jácome declarado que a diferença de trezentos e cinquenta reis (:350) dava de esmola para a Senhora do Fastio

Portanto a Imagem que se encontra no Altar-mor da Capela, deve ter sido exposta na festa de mil oitocentos e oitenta e seis, sendo que a imagem pequena existente deverá ser a que estava no antigo nicho.

 

1Imagem que estaria no nicho

2Imagem nova-comprada em 1886

 

De referir que por aqui passaria o antigo caminho transversal que ligava o Mosteiro de São Pedro de Rates a Braga e que serviria também para a ligação dos responsáveis pelas paróquias destes territórios se deslocarem à arquidiocese de Braga.

Arranjar comissões para organizar a festa já por esta altura não era fácil e lidar com os dinheiros ainda pior. Pela acta de vinte e quatro de Junho de mil oitocentos e oitenta e oito (24/06/1888) em reunião feita na residência paroquial as comissões de Festas vem apresentar contas, assim: no ano de mil oitocentos e oitenta e três (1883) o tesoureiro António de Oliveira apresenta um saldo de seis mil seiscentos e cinquenta reis (6:650), António José da Cunha Moreira, tesoureiro no ano de mil oitocentos e oitenta e quatro (1884) diz que nada sobrou, António José Pereira Machado, tesoureiro no ano de mil oitocentos e oitenta e cinco (1885) diz, depois da Festa e com a parede que mandou fazer para vedação do adro da Capela e com a banqueta para o Altar da mesma Senhora lhe sobrou a quantia de trezentos reis (:300), Manuel de Araújo tesoureiro do ano de mil oitocentos e oitenta e seis (1886) apresentou um saldo de vinte e quatro mil e quatrocentos reis (24:400) José Pereira Machado, tesoureiro no ano de mil oitocentos e oitenta e sete (1887) , teve um saldo de dezassete mil reis (17:000). Todos os saldos perfazem uma quantia de quarenta e oito mil trezentos e cinquenta reis (48:350) e depois de pagar vinte mil reis (20:000) ao pároco Manuel Gomes Jácome que tinha emprestado para a construção da Capela fica a quantia de vinte e oito mil e trezentos e cinquenta reis (28:350) o presidente da Junta da Paróquia tinha com ele da caixa das esmolas a quantia de sete mil e setecentos e cinquenta e cinco reis (7:755) o que totaliza a quantia de trinta e seis mil e cem reis (36:100) que por acordo de todos fica na mão de Manuel da Costa Araújo do lugar do Ribeiro. (fig. 05 e 06)

Nota: Não especifica o porquê de o dinheiro ficar na mão do referido Manuel da Costa Araújo.

Em nove de Setembro de mil e novecentos (09/09/1900) em acta da Junta da Paróquia o Padre Jácome diz: que os mordomos da Senhora do Fastio que é costume fazer a Festa no quarto Domingo de Setembro, lhe constava que eles não queriam fazer a Festa porque as esmolas não chegavam.

Estranho porque nos anos anteriores o dinheiro chegava e sobrava e dois anos antes havia um saldo de trinta e seis mil e cem reis (36:100).

Encontramos em casa do tesoureiro a lista da comissão da Festa de mil novecentos e seis (1906 sendo Juiz Bernardino Martins do lugar da Igreja e Juíza Ana Fernandes do lugar do Ribeiro, tesoureiro Serafim Gomes Pereira do lugar da Bouça Velha, secretário Domingos Lopes do lugar da Carvalheira e o Procurador José Gomes Pereira do lugar da Carvalheira, seguindo-se os nomes dos mordomos e mordomas assim como as Juízas e o respectivo Procurador de cada uma das freguesias vizinhas que participavam na Festa. (fig. 07 e 08)

Há também diversas folhas do registo das ofertas, venda de bilhetes e oferta de segredos para leiloar, conforme se pode ver nos exemplos das fig. 09 e 10

Durante a Presidência Paroquial do Padre José Pereira de Oliveira Barbosa não encontrei qualquer referência à Capela ou à Festa de Nossa senhora do Fastio, mesmo no âmbito do arrolamento dos bens da Igreja pelo Estado Republicano em mil novecentos e onze e quando foi feito o respectivo arrolamento da paróquia de Santa Eulália de Arnoso e anexa do Salvador do Mosteiro de Arnoso nada é referido relativamente à Capela e suas alfais talvez por se encontrar omissa nos registos do prediais.

Só em mil novecentos e sessenta, (1960) já na Presidência do Padre Arménio Simões Moreira é que aparecem as contas e o registo das comissões de Festa e aquelas prestadas à Arquidiocese de Braga (fig. 11, 12 e 13) e em mil e novecentos e sessenta e seis define as normas (direitos e deveres) pelas quais a comissão de festas se deve reger.

Em mil novecentos e setenta e cinco (1975) foi instalado o Altar-mor pela firma A. Leite Azevedo de Braga pelo preço de vinte e dois mil escudos (22.000$00)

Em mil novecentos e setenta e nove (1979) a Fábrica da Igreja Paroquial depois de aprovado um projecto de ampliação da Capela de Nossa Senhora do Fastio da autoria de José Armando Ferreira da Silva solicita à Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão licença por trezentos e sessenta e cinco dias o qual se veio a executar, mas não encontrei qualquer orçamento da referida obra, só a memória descritiva e orçamental (fig. 14 a 21)

Em mil novecentos e noventa e sete (1997) A Comissão da Festa tendo o Sr. António Novais Costa, aceitado alinhar o muro no seu terreno alargando assim o terreiro do Adro da Capela, pelo que a Comissão aceito e mandou executar um novo muro de suporte de terras no lado Norte. este muro teve um custo de trezentos e trinta e três mil escudos (333.000$00), tendo a Junta de Freguesia participado com cem mil escudos (100.000$00) e a Câmara Municipal com quarenta mil escudos (40.000$00) assim como a Padaria Bastos que participou com a ajuda de dez mil escudos (10.000$00) e o restante angariado pela comissão da Festa. (fig. 22 e 23

 

 


Fig. 00


Fig. 01


Fig. 02


Fig. 03


Fig. 04


Fig. 05


Fig. 06


Fig. 07


Fig. 08


Fig. 09


Fig. 10


Fig. 11


Fig. 12

 

Fig.13


Fig. 14


Fig. 15


Fig. 16


Fig. 17


 

Fig. 18


Fig. 19


Fig. 20


Fig. 21


Fig. 22


Fig. 23

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