Caminho Português de Santiago de Compostela

 Caminho Português de Santiago “Domingueiro”

 

Três irmãs e os maridos tem já há uns tempos por rotina caminhar e religiosamente aos domingos de manhã, mas sempre com o intuito de conhecer novos caminhos (trilhos), paisagens, monumentos e outros pontos de interesse.

Em maio de 2021 resolvemos dar início ao caminho português de Barcelos a Santiago de Compostela, fazendo uma etapa de vez em quando.

No domingo de dois de maio fizemos a primeira etapa seguindo as setas amarelas do caminho português que por sinal está muito bem marcado.

Nesta primeira etapa lá fomos caminhando e sempre que passávamos por algo de interesse lá parávamos o tempo necessário para visitar e assim passamos pela igreja de Vila Boa onde se encontra uma imagem de Santiago, pedimos forças para continuar. Mais adiante passamos pela capela de S. Sebastião e a de Santa Cruz, estas em Lijó. Em S. Pedro e S. Fins pela igreja de N. S. da Portela, passamos depois por Aborim terminando esta etapa em Aguiar. Tudo isto no concelho de Barcelos.

As meninas foram cantarolando um verso para cada etapa, como se segue:

       Refrão:     

 Ó Santiago                                                                            

 Nós vamos andando.

  Devagar devagarinho.

  Nós vamos caminhando

            
 

 1º       No caminho de Santiago

           Três irmãs e três cunhados

           Vão caminhar até lá

           Para sermos abençoados

 2º     De Barcelos a Aborim

          Começamos a caminhar

          Com força e alegria

          Santiago ajudar

           

Depois da primeira etapa, já ninguém conseguia esperar e por isso fizemos o caminho quase todos os fins-de-semana.

De Aguiar seguimos por Balugães, Vitorino de Piães já no concelho de Ponte de Lima e Facha onde terminamos junto à capela de S. Sebastião. Esta etapa teve já umas paisagens muito bonitas, passamos pela ponte de tábuas (romana) sobre o rio Neiva e encontramos ao longo do caminho muitos cruzeiros e alminhas, muitas delas com a imagem ou alusivas ao Santiago.

          

 3º     De Aborim à Facha

          Vão andando os velhotes

           Trazemos uma sobrinha

           Para nos tornar mais fortes.

Da facha seguimos até Labruja onde terminamos junto `a capela de Nossa Senhora das Neves. Continua o caminho cheio de símbolos ao Santiago e ao peregrino, muitos cruzeiros, alminhas, capelas, pontes romanas e medievais, mas também uma paisagem deslumbrante ao longo do rio Estorãos.

 

  4º     De Facha à Labruja

          Uma etapa muito linda

          Cruzeiros com muita sorte

           E paisagem florida

 

De Labruja a Cossourado, passando por Romarigães e Água longa, talvez a etapa mais difícil onde temos a subida da Labruja encimada pelo cruzeiro (Cruz dos mortos ou Cruz dos Franceses onde parece ter havido escaramuças com as tropas invasores de Napoleão e por isso aqui houve mortos, o que deve ter dado o nome ao cruzeiro) hoje também conhecido pela Cruz dos peregrinos, mas a subida continua até ao alto da Labruja que se situa a 390 metros de altitude, mas já em Romarigães, concelho de Paredes de Coura.

O Caminho é espetacular como paisagem e ao longo deste continua-se a ver e a passar por diversos cruzeiros, alminhas, capelas e pontes romanas, o que prova que a grande parte do caminho era o da estrada romana. Em Cossourado encontramos um marco moderno que nos diz que “foi neste local que em princípio dos anos 90 nasceu a primeira seta dos caminhos de Santiago tal como a sua cor amarela” fica para a história.

No regresso aproveitamos para visitar a Igreja romana de Rubiães, onde se encontra um marco miliar da estrada romana e o Santuário de Nossa Senhora do Socorro na Labruja.

               

  5º     Da Labruja a Cossourado

          Outra etapa a começar

           Em caminhos e carreiros

           Nós gostamos de olhar

 

De Cossourado a Tui, foi uma etapa sem grandes subidas, mas com uma paisagem de parar e admirar. De realçar que para além das alminhas, cruzes, pontes romanas e capelas passamos pela bela fortaleza de Valença e atravessamos a ponte Rodo-ferroviária que nos liga a Espanha (Tui) onde terminamos junto à Catedral.          

  6º    De Cossourado a Tui

         A Catedral avistamos

         É linda, bem sabemos

          E nós ali acabamos.

 

De Tui fomos até ao Porriño. Começamos por fazer uma pequena visita à Catedral que se encontrava aberta e também carimbar as credenciais do peregrino que levamos connosco. O caminho segue depois pelo lado nascente de Tui onde encontramos diversos monumentos, cruzeiros assim como imagens do Santiago. Caminhada, de sobe e desce. Seguimos o caminho complementar, junto ao rio Louro que nos pareceu ser mais ameno, mais fresco e de paisagens mais bonitas. Terminamos um pouco antes do Porriño.

    7º  De Tui ao Porriño

        Uma Igreja cheia de Ouro

       A paisagem era linda

       Junto às águas do rio Louro.

 

 

Do Porriño caminhamos até Redondela. No início poderíamos optar por seguir pelas ruas do Porrino ou continuar junto às margens do rio Louro, optamos pela margem do rio e não nos arrependemos pois é de uma paisagem natural de grande beleza. Como normal ao longo do caminho continuamos a encontra diversos pontos de interesse, Igrejas como a de Santa Baia de Mós, aldeia cheia de símbolos referentes ao Santiago e como antigo caminho romano ali está um marco do caminho XIX que ligava Braga a Astorga passando por Lugo, subimos ao Casal do Monte, atravessamos Podrón e chegamos à entrada de Redondela onde terminamos esta sétima etapa.

  8º   Do Porriño a Redondela

        Não olhamos pr’o radar

        Peregrinos distraídos

        A multa tem que pagar

 

 

De Redondela marchamos até Pontevedra numa etapa de 21 Km, começamos por atravessar Redondela passando pelas suas Igrejas romanas e medievais e respectivos cruzeiros, subimos ao Alto da Lomba e descemos ao longo do braço de mar até Ponte Arcade onde atravessamos a ponte Medieval de Pontesampaio, voltamos a subir até ao Alto do Cacheiro e depois seguimos ao longo do rio Tomeza até próximo da estação ferroviária de Pontevedra.

 

9º    De redondela a Pontevedra

        Entramos na Catedral

        Ficamos encantados

         Com a pia Batismal.

De Pontevedra seguimos até próximo de Caldas de Rei, aqui passamos pela zona antiga da cidade de Pontevedra, visitamos a Catedral e admiramos as ruas medievais até chegarmos à ponte do Burgo onde atravessamos o rio Lérez, que só em Pontevedra tem mais de dez pontes. Etapa quase plana, mas revestida de uma paisagem inesquecível tendo passado pelas Igrejas medievais de Santa Maria de Alva, Capela de S. Caetano, Capela de Santo Amaro e cruzeiros com os símbolos de Santiago estão em todos os recantos do caminho quer junto às igrejas e capelas e até nos jardins das casas particulares e mesmo nos lugares mais isolados junto ao caminho. Ao longo destas etapas sempre encontramos artistas em grupo ou individual tocando a música regional da Galiza com as suas melodias tocadas nas gaitas de foles.

 10º    De Pontevedra a Caldas de Rei

           O caminho a encurtar

           Santiago a olhar por nós

           E nós lá vamos a brincar

 

Esta etapa começamos por atravessar Caldas de Rei, onde visitamos mais uma Igreja medieval, desta vez a Igreja de Santa Maria e logo de seguida a Igreja de S. Tomé de Bechel, seguimos pelas estreitas ruas e depois de atravessar o rio Umia encontramos a fonte termal seguido da capela de S. Roque seguindo depois até encontrarmos a Igreja medieval de Santa Maria de Carrecedo onde na entrada da Igreja estava um belíssimo tapete de flores. Aqui demoramos algum tempo movidos pela curiosidade pois não sabíamos bem qual o motivo, mas logo apareceu um grupo de música de gaitas de foles e bombos em formação de dois a dois seguidos das crianças que soubemos depois iam realizar a sua profissão de fé. Depois desta pausa seguimos por caminhos ladeados de carvalhos ao longo do rio valga onde terminamos junto a esta aldeia.


 11º   De Caldas de Rei a valga

         Estamos a entristecer

         Caminhada a acabar

         Isto não podia ser


De Valga tínhamos planeado uma etapa até à entrada de Milladouro, porque não queríamos chegar a Santiago no dia da festa, 25 de Julho, mas porque o caminho não estava marcado, segundo a trilha que estávamos a seguir, mas alterado por outro local e nós quando nos apercebemos já o Milladouro estava para trás. Os carros estavam a cerca de 3 Km atrás. Mas voltando à etapa, saímos de Valga passamos pela loja do peregrino e a Capela de S. Julião de Requeixe e logo atravessamos a ponte medieval sobre o rio Ulla em Pontecesures, dali seguimos até Padron onde encontramos uma grande azafama pois era dia de feira a qual tivemos de atravessar até parar na Igreja de Santiago onde nos informaram de que ali no seu interior tínhamos que carimbar as credenciais pois caso contrário o caminho não era válido. Assim fizemos e seguimos caminho até à Igreja de Iria Flávia, marco histórico do caminho de Santiago, mais à frente, ainda em Padron encontramos outra Igreja muito antiga a Igreja de N. Senhora da Escravidão e logo a Igreja das Cruzes e outras capelas e cruzeiros. O caminho é depois muito fresco pois envereda por matas de carvalhos e parte do caminho romano e passamos a poente do Milladouro.

 12º   De Valga a Milladouro

          Cansados a caminhar

          Desanimados por não saber

          Onde o carro encontrar

13º     Mulheres a descansar

           E eles a caminhar

           Andaram mais três Quilómetros 

           Para o carro encontrar.

 A última etapa pequenina, pois de Millhadouro a Santiago são apenas seis quilómetros, mas valeu a pena pela frescura do vale do rio Sar. E logo entramos na cidade de Santiago. Não sendo dia de festa era imensa a quantidade de peregrinos, de tal ordem que para obtermos os diplomas de caminheiro esperamos mais de três.

 

 14º    De Milladouro a Santiago

          Já as torres avistamos

           Vamos ter muitas saudades

            Esta aventura acabamos

 

 

JCF

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Confraria do Subsino do Mosteiro do Salvador de Arnoso

Daniel da Costa Ferreira

REGISTO DE PÁROCOS QUE PASSARAM POR S. SALVADOR DO MOSTEIRO DE ARNOSO ATÉ À SUA ANEXAÇÃO NA PARÓQUIA DE SANTA EULÁLIA DE ARNOSO