Breve história da Cultura e Desporto em Santa Eulália Arnoso

Breve história da Cultura e Desporto em Santa Eulália Arnoso

 

No plano cultural, havia algumas manifestações que me fazem lembrar a cultura do povo de Santa Eulália tais como:

Lembro-me bem da atuação da chamada TUNA que actuava e dinamizava as novenas do Menino Jesus durante a quadra Natalícia, com os seus instrumentos musicais, onde se destacava o violoncelo, a flauta e os cavaquinhos.

Lembro-me ainda da representação do teatro “Baile dos Reis” realizado num grande anfiteatro improvisado no campo do Sr. Miguel Abreu, possivelmente nos anos cinquenta. Este livro, onde consta a peça de teatro foi escrito à mão por alguém que o deve ter copiado. Encontra-se na Associação Desportiva e Cultural, que tentou reeditar esta peça, mas devido ao grande número de personagens teve que abandonar o projecto. Foi mais tarde passado para um ficheiro alojado no CD sobre a A.D.C.

No plano desportivo temos:

 

Nos anos cinquenta do século XX, havia já em Santa Eulália Arnoso um bom grupo de aficionados pelo futebol. Quase todos nascidos na década de trinta, e adeptos fervorosos do Futebol Club de Famalicão. Era vê-los passar pelo lugar da Minhoteira a caminho da estação de Nine para apanhar o comboio das 14H45 com destino a Famalicão. Recordo entre eles o Avelino do “Cândido”, o Avelino Cruz, o Carlos Sá Gomes, o Maximiano Vilaça “Ciano do Monte” entre outros.

 

É, no entanto, a rapaziada da década de quarenta que se inicia na prática do futebol, dedicando- se já a constituir uma equipa de futebol de onze. No entanto havia aqui dois problemas. Primeiro não havia qualquer espaço na freguesia para a prática desse desporto e por isso tinham que ir jogar no campo do Viatodos ou no de Tadim que à época eram as únicas freguesias com campo de futebol nas proximidades.

 

Segundo problema eram os Pais, nascidos no final do Século XIX e princípio do Século XX, que jogar à bola não era coisa daquele tempo, fazia mal à saúde, ficavam cansados e estragavam a roupa e calçado e, a semana seguinte era de trabalho nos campos. Aqui entra a geração da década seguinte que os mais velhos, instruíam para que estivessem “Alerta” palavra aprendida por aquelas que já tinham cumprido o serviço militar, utilizada pelos soldados que estavam de sentinela nos diversos postos de vigia. Aqui, estar alerta era desinformar os pais que iam vigiar os filhos para ver se eles estavam a jogar e então no caso de eles irem jogar para Tadim nós dizíamos aos pais que eles foram jogar a Viatodos ou vice-versa.

 

É depois a geração dos finais dos anos quarenta, que se vinha juntando no Adro da Igreja, mas que o pároco Arménio Simões nos corria do Adro. Passamos depois a jogar no largo em frente ao cemitério com o cruzeiro pelo meio (ainda hoje existente). Temos que salientar que nesta altura o pároco, chegado à freguesia a 06 de Outubro de mil novecentos e cinquenta e sete era muito severo e não tinha qualquer jeito para lidar com a juventude, achava que tudo se resolvia à sapatada.

 

Por volta dos anos sessenta, há mais interesse dos pais em porem os filhos a estudar, pois até essa altura apenas se conheciam três estudantes na freguesia, e alguns destes pais, uns por falta de meios económicos, outros para não pagarem os estudos punham os filhos nos seminários (Braga, Barcelos, Vila Verde e Viana do Castelo) outros seguiram para as escolas profissionais. São estes estudantes que começam a ver o desporto de outra forma, até porque o praticavam na escola.

 

Começou aqui os grandes problemas com o Padre Arménio, que naquele tempo achava que podia impor as suas ideias, imiscuindo-se muitas vezes até nos problemas familiares dos paroquianos.

 

Fatigados de não nos podermos juntar no adro e no largo do cemitério, acabamos por resolvemos criar uma equipa de futebol de onze e para isso juntamos algumas economias para comprar umas camisolas, bolas, primeiro utilizando campos de futebol de outras freguesias depois com o aluguer de campos aos lavradores da freguesia que com a colocação de umas balizas de madeira e um pouco de cal hidráulica se criava um espaço desportivo. De realçar que eram os próprios atletas que assumiam as despesas das instalações e equipamentos. Os balneários eram nas casas vizinhas e o banho era de mergulho nos tanques próximos. Mais tarde alugamos um campo ao Sr. Camilo Faria 1 no lugar da Carvalheira, e como vimos atrás o grupo passou a designar-se ALERTA FUTEBOL CLUB (Fig. 01) depois alugamos outro campo, no lugar da Minhoteira já na freguesia de Cambeses ao Sr. João do Fontão desta mesma freguesia de Cambeses. Nestes primeiros anos tivemos diversos problemas com o pároco que achava que por nossa causa não tinha a juventude e outros no terço que celebrava aos Domingos à tarde, religiosamente às 15H00 no inverno e às 16H00 no verão. Aos Domingos tínhamos uma instalação sonora instalada na casa do tio Cândido (José Cândido Gomes Pereira) que tinha uma mercearia no lugar da Carvalheira e que nos apoiava pois para além de o futebol dar movimento ao negócio o seu filho Manuel também fazia parte da equipa. Conhecendo bem o padre Arménio e para evitar problemas não iniciávamos o jogo, nem o altifalante tocava sem que o terço acabasse. Só que um determinado domingo de verão o Sacristão, na altura o Augusto “do caseiro” tocou o sino para o início do terço e veio a correr dizer-nos que já podíamos pôr música porque a referida cerimónia religiosa já tinha acabado. Pensou ele que enquanto vinha da Igreja até à Carvalheira o Padre celebrava o terço e nós posemos música e preparamo-nos para jogar, só que afinal o Terço ainda decorria. No Domingo seguinte, na prática da missa, atirou-se aos pais porque os filhos para além de não frequentarem a Igreja ao Domingo à tarde ainda punham o altifalante a tocar enquanto o terço decorria.

 

Resolvemos então marcar uma reunião com o Pároco que lá nos recebeu um dia há noite. Posemos-lhe os nossos pontos de vista, fazendo-lhe ver que não estávamos contra a Igreja, mas que também nos tínhamos que divertir e que nas escolas se praticava desporto, mas ele sempre retorquindo que não podíamos jogar enquanto não acabasse o terço porque assim as pessoas em especial as mais novas, não iam à Igreja. Ao fim de umas boas horas ficou combinado entre nós que o pároco marcava o terço para as 15 ou 16H00 conforme a época e nós uma hora depois daríamos início à actividade desportiva. Lá viemos todos contentes e convencidos de que afinal o pároco compreendia e não haveria mais problemas. Bem nos enganamos. No Domingo seguinte tínhamos marcado um jogo para a hora combinada e o Padre Arménio marcou o terço para a mesma hora, ou seja, uma hora mais tarde do que tinha combinado connosco

 

 

 

1 O Sr. Camilo Gomes de Faria, casado com a Sr. Maria de Oliveira, era um casal que sempre gostou e apoiou a juventude,

sempre nos recebiam com um sorriso e a oferta de um café ou cevada que sempre estava nas púcaras ao lume. O casal que era

meu tio, eram conhecidos e tratados por todos com o carinho e afecto como a tia Maria e o tio Camilo Faria

 

A partir daqui, nunca mais nos entendemos com o Padre e já tínhamos o apoio de quase toda a freguesia que aos domingos vinham nos apoiar e ver os jogos, mas houve pais que vieram a ter problemas com o Padre por via disso.

Por esta altura quase todas as freguesias vizinhas tinham equipas de futebol de onze e campos próprios ou também alugados a lavradores. Lembro-me dos de Cambeses, S. Miguel da Carreira, Sequeade no Conselho de Barcelos e Santiago da Cruz e S. Cosme do Vale em Famalicão. O Alerta Futebol Clube durou até aos fins de 1967, porque em janeiro de 1968 eu ia cumprir o serviço Militar obrigatório e não houve quem quisesse responsabilizar-se pelo aluguer do campo e ainda a minha mãe e o meu padrasto pagaram um ou dois meses de renda que tínhamos em atraso.

Até 1974 ainda se realizaram alguns jogos, mas sempre fora da freguesia por falta de terrenos ara as infraestruturas onde se pudesse jogar, tendo também por esta altura existido uma equipa formada no lugar das Cruzes e trezarnoso.

Com o 25 de Abril, abriram-se novas prespectivas para a prática do desporto em geral. Aqui e ao contrário das câmaras vizinhas, como Braga e Barcelos que optaram por adquirir terreno se construir as infraestruturas em todas as freguesias a câmara de Vila Nova de Famalicão colocou o problema nas mãos das comissões administrativas das freguesias que em conjunto com a Comissão Administrativa da Câmara, incentivaram a criação de comissões desportivas nas freguesias, obrigando estes a serem os “maus da fita” e a andarem como no regime deposto de chapéu na mão à porta da Câmara. Ainda hoje infelizmente assim é. Ficapara a história.

 

COMISSÃO DESPORTIVA DE ARNOSO SANTA EULÁLIA

Como disse por esta altura a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Famalicão, propôs às freguesias arranjar terrenos para a prática desportiva e cultural, e que a mesma disponibilizava as ajudas necessárias para as infraestruturas.

Elementos que depois fizeram parte da Comissão Desportiva da freguesia, mais outros e até um que mais tarde se virou contra a ocupação do passal, numa reunião de amigos, efetuada em frente à mercearia do “Marinho” servindo o muro do Carlos Sá Gomes como assento. É nessa noite que se faz a discussão para arranjar terreno para a prática desportiva. Falou-se em alguns terrenos como o tojal do Sr. Manuel da Quintão (terreno de monte que fica entre a Igreja do Mosteiro e a cabina de transformação elétrica, do lugar do Outeiro) ficando o genro deste de o sondar para um aluguer e também, embora um pouco descentralizado se pôs a hipótese do passal do mosteiro, foi criada uma comissão para falar com Padre Arménio, no sentido de este o alugar. Mas já nesta altura os elementos mais radicais falavam em se ocupar o passal do Mosteiro.

Como não se encontrou quem cedesse terreno por oferta, aluguer ou compra para o efeito, se resolveu avançar com a ocupação do antigo passal da freguesia do Mosteiro do Salvador de Arnoso, o qual não possuía qualquer registo a não ser que o Pároco usufruía da receita do seu aluguer, como benefício paroquial. Isto foi o que se soube na altura porque mais tarde apareceu escritura do benefício paroquial. Não era por acaso que na parede da casa ali existente havia e há, embora danificada por qualquer vândalo uma pia de Água Benta o que significa que ali moraram os párocos depois de o mosteiro ter deixado de ter monges e passou a ter pároco nomeado pelo Mosteiro de Pombeiro, mais tarde pelos senhores de Pindela.

Hoje sabemos que em princípio foi o Padre Cosme Cardoso que por volta do ano de 1655 teria comprado e mandado construir a casa no lugar do monte da freguesia do Salvador Mosteiro de Arnoso (Fig. 1).

 

Também quando da implantação da República a 05 de Outubro de 1910, e em acta da paróquia de 06 de Novembro de 1910 o cidadão Manuel Gomes da Costa Campos regedor e com oficio do Administrador do Concelho datado de 04 do mesmo mês, em que o encarregava de presidir à junta (comissão) da paróquia e nomear os seus membros convoca uma reunião extraordinária, exonera a comissão existente presidida pelo pároco José Pereira de Oliveira Barbosa “ paroquiou a freguesia desde 1907 a 1957” e nomeia os seguintes membros: Manuel Gomes da Costa Campos, presidente; João de Oliveira, secretário e os vogais: Bernardino Gomes de Araújo, Francisco Ferreira (do Ribeiro) e Manuel de Sá Felgueiras Machado.

 

Aos vinte de Novembro de 1910 e convocada nova reunião extraordinária, também por ordem do Administrador do Concelho para que se procedesse à verificação dos livros paroquiais, contas e inventário de bens moveis (alfaias) e imóveis o que só foi feito em sessões posteriores.

 

Depois de publicados diversos diplomas sobre a separação do Estado e a Igreja Católica, só em 20 de Abril de 1911 é que foi publicada a Lei da Separação do Estado das Igrejas, «A religião católica apostólica romana deixa de ser a religião do Estado e todas as igrejas ou confissões religiosas são igualmente autorizadas, não podendo ninguém ser perseguido por motivos de religião.

 

Ao abrigo desta lei em 03 de Novembro de 1911 (figura nº 2, 3 e 4) é feito o arrolamento e confisco dos bens da paróquia onde consta uma casa em ruínas e terreno de mato no lugar da Quinta (engano na localização como se pode comprovar pelo diário da república a, quando da sua restituição), estando presentes para além das entidades o Presidente da Comissão da Paróquia, na altura já era o António Oliveira e o Pároco. Tendo, este ficado como fiel depositário dos bens arrolados. De realçar que o Pároco José Pereira de Oliveira Barbosa se ter recusado a assinar a referido auto por não concordar, pois que à Igreja pertence a posse, guarda e administração dos Templos, bens móveis e imóveis destinados ao Culto Católico e sustentação dos seus ministros.

 

Só mais tarde em 26 de Junho de 1926 o Estado através do Decreto Lei 11887/26 se digna devolver os bens eclesiásticos às Igrejas, o que o Pároco José Pereira de Oliveira Barbosa faz por oficio (Figura nº 5) em 06 de Maio de 1929 o Padre José Barbosa pede a devolução dos bens da Freguesia anexa do Mosteiro de Arnoso (não encontrei o mesmo pedido relactivo a Santa Eulália, mas com certeza que houve).

 

Por despacho do Ministério da Justiça e dos Cultos de 21 de Maio de 1930 e publicado no diário da República 1ª série nº 119 de Sábado, 24 de Maio de 1930 é devolvido às paróquias de Santa Eulália e S. Salvador do Mosteiro de Arnoso os bens confiscados (figura 06 e 07).

Em 06/10/1957 toma posse o Pároco Arménio Simões Moreira que relata despesas no passal do Mosteiro (Figuras nº 11, 12 e 13)

 

Em Fevereiro de 1976 o Padre Arménio solicitou à direcção de finanças de Vila Nova de Famalicão a descrição dos artigos que compõem o Passal do Lugar do Monte na antiga freguesia do Mosteiro de Arnoso (figuras nº 08, 09 e 10) tendo recebido a descrição de todos os artigos referentes às diversas leiras de lavradio e mato assim como da casa e suas confrontações, conforme o teor do certificado, o que comprovava a sua escritura em nome do beneficio paroquial, que nesta altura já as leiras não existiam devido à terraplanagem depois da acupação.

 

(O 25 DE ABRIL) ANTECEDENTES

A primeira República, instaurada pelo golpe de estado de 5 de outubro de 1910, tentou romper com diversos costumes, em especial religiosos do povo o que fez a par de outros problemas como a 1ª Guerra Mundial onde Portugal se meteu só para dar nas vistas, mas que depois teve que correr em força para o Ultramar defendendo dos próprios aliados ingleses que tinham um acordo com os Alemães para a divisão entre eles das nossas Províncias Ultramarinas e depois a desgraça financeira como não podia deixar de ser. Não esquecer que Portugal desde os tempos da idade média (1386) nunca ficou a ganhar nada com estes tratados, pois ainda hoje é um povo que se acha superior. Tudo isto só podia acabar com o golpe Militar de 28 de Maio de 1926, dando seguimento à ditadura de Salazar/Marcelo, que só acabou, com a revolução de 25 de Abril de 1974, embora nesta altura o regime estivesse já em decadência, devido à guerra colonial onde teimosamente parecia não querer dialogar com os movimentos independentistas.

 

Com 25 de Abril de 1974, logo de seguida comete-se os mesmos erros de 1910 e 1928, com o desfazer de toda a estrutura Governativa a ser eleita, mas manteve-se toda a máquina administrativa do antigo regime, não sendo o caso da nossa freguesia, porque não havia, mas ficou bem patente na Câmara Municipal. Havia alguns partidos ou movimentos já instalados que agrupavam diversas correntes como o MDP, os partidos clandestinos regressaram a Portugal em grande pompa e circunstância (quem não se lembra da organização e cobertura da chegada dos Drs. Mário Soares e Álvaro Cunhal) e os partidos de esquerda da Antiga Aliança Democrática transformaram-se em partidos de direita PPD / CDS ou como se fez querer partidos “fascistas”

Atravessou-se aqui uns anos (que o 25 de Novembro não conseguiu acabar) em que qualquer cidadão teria que ser de esquerda ou de direita “ou estás comigo ou estás contra mim”.

 

25 de ABRIL DE 1974 – ARNOSO SANTA EULÁLIA

 

Havendo já uma oposição ao regime, caso do Sr. Manuel José Martins Moreira, mandatário do MDP, já tolerado pelo antigo regime, este juntamente com alguma juventude estudantil da freguesia, logo se formou um movimento a favor da revolução e incentivados por movimentos das forças armadas e sindicatos ligados às estruturas do partido comunista português, aliás o único partido da oposição que estava nessa altura bem organizado.

Houve diversos comunicados lançados (ainda secretamente) na freguesia que por não estarem datados é difícil de fazer a sua cronologia. (ex. Fig. 14, 15 e 15a). Aparecem depois diversos movimentos a lançar comunicados, entre eles destacamos a Comissão de moradores, Comissão Desportiva e Cultural, Pró-comissão de moradores, os Democratas de Arnoso Santa Eulália, a Comunidade Católica de Base de Arnoso Santa Eulália, etc.

 

Para o caso veremos apenas as movimentações da Comissão de Desporto e Cultura.

 

Embora estas comissões já tenham solicitado a exoneração da antiga junta de freguesia junto do movimento das forças armadas, nomeadamente junto do representante no quartel RI8 em Braga, só em 14 de Novembro de 1974, por portaria do Ministério da Administração Interna, são dissolvidas as antigas juntas de freguesia e substituídas por comissões Administrativas. A 25 do mesmo mês, tomam posse na Câmara Municipal perante o presidente da Comissão Administrativa da C. M. onde compareceram os seguintes cidadãos da freguesia: Manuel José Martins Moreira, Aires Machado de Araújo, Armando da Cunha Pereira, Carlos Alberto da Costa Soares, José Campos Ferreira e João Barbosa da Costa que perante juramento que todos prestaram solenemente, ficou assim distribuídos os cargos da Comissão Administrativa da Freguesia de Arnoso Santa Eulália: Presidente, José Manuel Martins Moreira; secretário, Aires Machado de Araújo; tesoureiro, Armando da Cunha Pereira e os restantes elementos como vogais ou suplentes.

 

A Comissão Desportiva, criada para o efeito sendo constituída pelos voluntários, Manuel Ferreira da Costa (43 anos), Joaquim da Silva Pereira (23 anos) Avelino Araújo Leite (19anos) Augusto Machado da Cunha (20 anos) e Joaquim Novais da Cunha (25 anos).

 

Em 13 de Junho de 1975, reuniu esta comissão e de outras freguesias com a comissão Desportiva da Câmara Municipal, sendo um dos pontos a expropriação de terrenos para aprática desportiva, tendo a contestação do representante de S. Paio de Seide, embora a Câmara não pusesse de lado em ver a viabilidade de ser a ocupação do Passal do Mosteiro.

 

Em 14 de Junho, reúnem o Avelino, Augusto Cunha, Joaquim Novais e Joaquim Pereira numa sala do café Bastos e decidem marcar uma reunião para o Santo Amaro (Mosteiro) a 28 de Junho, convocando a juventude da freguesia, ficando decidido pôr as decisões na Assembleia de freguesia a efectuar no dia seguinte onde ficou decidido que no dia 1 de Julho a comissão desportiva em conjunto com a Comissão Administrativa da Freguesia iria pôr o problema ao Pároco da Freguesia. (figura nº16) Nesta reunião segundo o pároco Arménio, diz que recebeu as seguintes pessoas da comissão Administrativa o Manuel Moreira e Aires Machado, da comissão desportiva, Avelino Leite, Manuel Costa, Carlos Alberto Soares, Joaquim Novais, Augusto Machado, Adão Pinto e Joaquim Pereira e acrescidos de Armando Pereira da comissão administrativa e Carlos Alberto Araújo e Mário da Costa Martins da Associação, se fizeram outras reuniões na residência paroquial e no Arciprestado em Famalicão.

 

Aparece aqui um comunicado desta comissão desportiva, sem data de publicação, onde se diz quais os propósitos da ocupação do terreno do antigo passal do mosteiro (fig.17, 18 e 19)

 

A 28 de Julho dá-se a ocupação do passal do mosteiro no lugar do monte, com a entrada das máquinas de terraplanagem pagas pela Câmara Municipal sob a gerência do Eng. Pinheiro Braga, presidente da Comissão Administrativa.

 

Só em 31 de Agosto é registada na acta da Assembleia de freguesia “também no dia dois do referido mês a Comissão Administrativa e a Comissão do Desporto que é constituída pelos seguintes membros:

Manuel Ferreira da Costa, da Bola,

Joaquim da Silva Pereira, da Bola,

Avelino Araújo Leite, Outeiro,

Augusto Machado da Cunha, Ribeiro,

Joaquim Novais da Cunha, Silvão,

 

Deu início às obras do parque infantil e mais desportos.

Mais se diz que a Comissão Administrativa e a do Desporto conseguiu com o Senhor José

Maria de Sá Felgueiras Machado, morador na freguesia de Viatodos, lhe desse autorização de fazer um caminho entre a aldeia do Mosteiro (Monte) e o monumento Nacional”

 

Até à tomada de posse da nova Junta de freguesia todas as actas referem a continuação das obras do parque infantil e mesmo depois de tomada de posse da nova Junta de Freguesia esse tema continua a ser declarado nas actas das reuniões.

 

ADC – Associação Desportiva e Cultural de Arnoso Santa Eulália

 

É falso, que se pense, que esta comissão apareceu espontaneamente para tomar de assalto o referido passal, por isso esta comissão só esteve ativa por ordem da Comissão Administrativa da freguesia até à criação da A.D.C. constituída por dez elementos da freguesia e que teve a sua primeira reunião em 29 de Outubro de 1975 (fig. 20 e 21), e legalizada por escritura pública no notário da Povoa do Varzim em 03 de Abril de 1976, publicado em Diário da Republica nº 117 Terceira Série de 19 de Maio de 1976 (fig. 22)

 

Em Novembro de 1976 a Fábrica da Igreja e o Beneficio Paroquial põem uma ação no tribunal de Famalicão, pedindo a desocupação do terreno e uma indeminização por prejuízos de cerca de cento e cinquenta mil escudos, contra a Comissão Administrativa da Junta de Freguesia, Associação Desportiva e Cultural nas pessoas dos seus dirigentes e Interessados Insertos. De realçar que da Comissão Administrativa acusou os efetivos e suplentes menos José Campos Ferreira, na A.D.C. deixou de fora o José Pereira, Joaquim Pereira e o Adão Pinto, mas integrou o António Machado e o Carlos Alberto Araújo. Sabemos agora que o Pároco tinha informações mais ou menos seguras quer do que se ia fazendo no parque (recebia fotos tiradas pelo fotografo de Nine, (Fig. 23 e 24- mostra o verso da fig.23, 25 e 26) quer mesmo daquilo que se ia passando nas reuniões da direção (alguma informação chegaria já deturpada ou não completa) o mesmo se passava com as reuniões da Comissão Administrativa e Junta de Freguesia.

 

Durante este período houve diversos comunicados lançados, na freguesia e através de jornais do Concelho e Nacionais, tendo cada uma das partes “Igreja e Associação” defendido o seu ponto de vista. A Fabrica da Igreja dizendo que o terreno era benefício paroquial e a esta pertencia e a Associação não tendo conhecimento dos referidos documentos apresentados pela Fábrica da Igreja, continuaram a ignorar e também havia a certeza de que depois das obras ali executadas teria de haver uma solução para o caso.

 

Por esta altura também aparece o primeiro acto eleitoral, tendo a Comissão Administrativa cessado funções e em 20-01-1977 entregue a administração da freguesia à nova Junta de freguesia eleita, tendo como presidente o Joaquim Braga Bastos, secretário António da Costa Ferreira e tesoureiro João Gomes Barbosa.

 

O processo posto em Tribunal pela Fábrica da Igreja, foi-se arrastando até que em 8 de Abril de 1980, depois de mandar avaliar os terrenos do passal, que foram avaliados em 718 contos, obrigou as partes a chegarem a um acordo, em que a Fábrica da Igreja aceita vender o terreno por 700 contos, conforme decisão do tribunal que logo no nº 1 obriga os réus a que depois de melhor informados reconhecerem que o prédio é pertença dos queixosos, os 700contos serão pagos em partes iguais pela, Associação Desportiva e Cultural, Junta de Freguesia e Câmara Municipal (Fig. 27, 28 e 29)

 

Como a Associação não tinha nem tem estatuto de utilidade pública não podia registar o terreno em seu nome pelo que se optou por este ficar em nome da Junta de Freguesia conforme escritura realizada em 21 de Julho de 1980 na Secretaria Notarial da Póvoa do Varzim (Fig. 30 a 36).

 

Em 29 de Setembro de 1982 é aprovado em Assembleia de freguesia uma proposta de venda do direito de superfície do passal do Mosteiro à A.D.C. 07 de Outubro também em Assembleia Geral da A.D.C. esta aprova a compra desse mesmo direito de superfície e a direcção da Associação também o aprovou em 10 de Outubro e em 03 de Novembro de 1982 é feita a escritura de venda na Secretaria Notarial da Póvoa do Varzim pelo valor de 100.000$00 (fig. 37 a 42), ressalvando-se que em caso de dissolução da Associação Desportiva e Cultural, os terrenos ficam na posse da Junta de Freguesia bem assim como todas as infraestruturas construídas até essa data.

 

Durante todo este tempo (1975-1982) as obras continuaram a ser feitas a um ritmo frenético, pois o movimento a favor do parque era imparável, servindo as quezílias entre as partes como incentivo à obra da A.D.C.

 

Nestes primeiros anos, construía-se, organizavam-se festas e convívios e jogos de tudo e mais alguma coisa assim como no plano Cultural (vasta consultar o número de atividades que chegaram a existir na Associação.

 

Eu conto vinte e três, sendo que se aos Sábados se construía aos Domingos e todos os dias ao fim do dia se reunia para executar atividades desportivas ou cultuais.

 

No Desporto começamos pelo Andebol, Badmington, futebol de cinco sénior e de formação (na formação fomos campeões nacionais masculino, mas tínhamos também futebol feminino que não vingou por falta de não haver equipas para organizar torneios ou campeonatos), Basquetebol, Voleibol e Atletismo. Todos os anos se organizava pelo menos um torneio de futebol de cinco. Entre 1982 e 1987 organizamos dez provas de motocross (mais tarde proibidas devido a não sermos federados). No Karaté, decorreu ao longo destes anos aulas com um protocolo entre a associação e o professor.

 

Na Cultura fizeram-se grandes coisas que nos anos seguintes à revolução eram quase impensáveis, mas a verdade é que nesta altura tínhamos já na freguesia um bom número de estudantes em especial muitos que chegavam dos seminários por isso foi possível escrever, ensaiar e apresentar a peça de teatro “Antes e Depois” no festival de teatro de Famalicão. Também o teatro de fantoches teve o seu auge nos anos oitenta com o grupo “Os meias Solas” representando a associação em diversas cidades do País. Arqueologia deu-se um impulso para se fazerem estudos no Castro das Ermidas (desconhecido até à altura e ainda hoje meio abandonado, talvez por estar na parte pobre do concelho). Audiovisual fizeram-se alguns filmes em especial sob a batuta do Manuel Marinho. Jornalismo para além dos diversos comunicados à população quer na informação ou no contraditório à oposição. Mais tarde foi laçado o jornal “Alerta” com três números em 1976 e depois em 1983 com cerca de nove edições. A escola de música, donde saíram muitos elementos a saber tocar diversos instrumentos musicais e aqui se formou o grupo de música “Os Falanginhas” ainda hoje recordados. Corsos de Carnaval, começamos pelos bailes de Carnaval, mas depressa se passou para o desfile dos lugares participantes pela freguesia acabando na Associação com um baile (isto de 1982 até 1988) depois ouve um interregno que em 1994 se voltou a organizar não parando mais até aos dias de hoje. Com livros oferecidos por associados e pelas entidades oficiais organizamos uma biblioteca e implementamos o aluguer gratuito de livros.

 

Formação e tempos livres:

 

No início organizaram-se semanas de campismo e de praia para os mais jovens. Organizaram-se grandes dias de convívios com outras associações quer como visitados quer como visitantes. Participamos em feiras e exposições, organizamos desfolhadas, exposições (utensílios agrícolas, sobre o 25 de Abril a história da associação, etc.). religiosamente desde 1976 que a associação comemora o Dia da Árvore, o aniversário do 25 de Abril e o seu aniversário em Julho assim como um passeio convívio entre os sócios e o S. Martinho com um magusto. Em 1982 e 1983 organizamos dois torneios de tiro aos pratos com imenso sucesso. Desde sempre passaram pela associação grandes grupos de música, bandas e ranchos folclóricos.

 

1986 depois de diversas discussões em especial nas assembleias gerais, pois sempre existiu dentro da associação duas linhas de sócios muito distintas, a desportiva e a cultural o que também contribuiu para um saudável incentivo a um melhor trabalho. É neste ano que depois de, por via do desportivo (alargamento do rinque e nova rua de acesso) a casa velha se encontra já em ruínas e uma grande maioria achava que se devia demolir na totalidade, mas felizmente surge a parte cultural que se opõe e é formada uma comissão de defesa deste edifício e logo se executa uma planta. É esta equipa que dá início ás obras com a reconstrução do muro de suporte junto à rua. A partir daqui a Associação, continuando com todas as atividades que já tinha passa a ter outra dinâmica pois é-lhe proposto a instalação da pré-primária o que veio a acontecer em 1991 e com a conclusão da recuperação da casa velha e com um protocolo com a Comissão de Apoio Local do Rendimento Mínimo Garantido, em 1997 nos lançamos no acabamento do restauro. Ali foi instalado o ATL da Engenho que se manteve até 2006. Com a pré-primária foi necessário organizar uma cantina por isso tivemos que contratar uma cozinheira para o efeito e 1997 comprou-se uma carrinha para o transporte das crianças e também foi necessário contratar mais uma pessoa que para além de condutor ajudava em todas as atividades e limpeza das instalações. Em 1998 participamos pela segunda vez com um carro alegórico no desfile das “Antoninas” e de 1999 a 2005 participamos nas marchas “Antoninas” onde tivemos dois primeiros lugares dois segundos e um terceiro. Nestes anos passaram pela A.D.C. diversos cursos profissionais (Informática, Árbitros, Jardinagem, confeção e preparação de alimentos, etc.) com protocolos com diversas entidades. A partir de 1990 passamos também a organizar uma festa de Natal para todas as crianças da freguesia com a entrega de um brinquedo a todas as crianças até aos dez anos de idade. É também neste período que os jovens e a seu pedido lhes é cedido um espaço para aí funcionar a Associação Cultural de Jovens e que sempre trabalharam em prol da A.D.C.

 

No plano de Obras para além da manutenção, conseguiu-se aumentar o edifício sede para transferir o ATL da Engenho, vedar o parque, construir um campo de futebol de praia, calcetar a rua de acesso, etc.

 

19 de Fevereiro de 2022

J.C.F.

 


 

Fig. 01

Livro de registo de S. Salvador do Mosteiro 1639 / 1681

 



 







































 

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